A música e a vida: consolo intemporal
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A música e a vida: momentos essenciais
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A música e a vida: razões para viver
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A música e a vida: baixas expectativas
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A música e a vida: incertezas naturais
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A música e a vida: laços afectivos
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A música e a vida: estradas desertas
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Os meus anos 70 - quando nos pomos a caminho
De Cat Stevens a que mais ouvi nos meus anos 70 foi a Morning Has Broken que me fartei de cantar. Mas não é dela que vou falar hoje, é de temas que redescobri no Youtube.
Talvez porque não os tenha voltado a ouvir, surgiram-me agora despidos de memórias intermédias. Porque a nostalgia é muito selectiva: ligamo-nos a imagens, sensações, emoções agradáveis, e resgatamo-las intactas anos mais tarde.
Do mais conhecido Tea for the Tillerman (70) escolhi On The Road to Find Out e Into White.
Do Teaser and the Firecat (71) escolhi If I Laugh e Bitterblue.
Do Catch Bull at Four (72) escolhi 18th Avenue (Kansas City Nightmare) e House of Freezing Steel.
Do Buddha and the Chocolate Box (74) escolhi King of Trees e Sun/C79. Esta fase é a minha preferida pela luminosidade e frescura que espalha no ar, uma vontade de nos pormos a caminho, de iniciar um qualquer percurso. Não é apenas a noção de espaço ilimitado, é essa genica que encerra, que se baseia na nossa natureza mais terrena.
Foi uma época de sonhos, sem dúvida, mas também de muita garra interior. O que aconteceu pelo caminho para tudo isto se perder?
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Os meus anos 70 - límpidas ressonâncias
É nesses dias claros dos meus anos 70 que me reencontro com a limpidez do essencial, a claridade do essencial, a simplicidade do essencial. Essa simplicidade já não a encontramos facilmente. Mas já a vi em certos, raros, olhares. É essa inocência original que eu mais aprecio.
A primeira vez que ouvi Joni Mitchell foi em Big Yellow Taxi e All I Want. Adorei esta voz e esta lógica fora do habitual. Mas quem ouvir Joni Mitchell na fase do For The Roses percebe que há um lado muito inteligente e cúmplice na forma como pega nos grandes temas da vida. Isso é o mais refrescante destes anos 70, pelo menos como os absorvi.
Aqui vai a sua voz límpida, inteligente e sensível: Woman of Heart and Mind, Cold Blue Steel and Sweet Fire, Electricity, Blonde in The Bleachers. É tão difícil escolher...
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Os meus anos 70 - os trovadores do essencial
Hoje trago aqui de novo dois trovadores, Graham Nash e David Crosby, que fizeram parte de um projecto que já aqui trouxe. Reparem nas vozes, nos sons e nas mensagens, como se interligam de forma clara e quase despida de toda a artificialidade. Como trovadores do essencial.
Estas viagens pelo Youtube levaram-me, pois, a descobrir temas que me marcaram dias límpidos… e eu tantas vezes sem saber de quem eram aquelas vozes, nessa altura isso era secundário, fixava-me nos sons, na mensagem, na ressonância que tinham nas minhas células e neurónios…
Só há uns anos descobri a amizade que os une, a mais genuína possível, tipo mosqueteiros, uma amizade que raramente vemos hoje em dia. Graham Nash nunca desistiu do amigo, como o próprio David reconheceu: o meu amigo salvou-me a vida, da dependência das drogas (não sei especificar qual delas). É um documentário inspirador que vale a pena descobrir.
Foi assim que resgatei ao tempo, como se o tempo não tivesse passado por cima de todos nós, este Graham Nash, There´s Only One, e é de arrepiar, sobretudo porque nunca mais o tinha ouvido. A Prison Song acompanhou-me muitos dias, gostava de a trautear. O Simple Man… E já agora Be Yourself, uma mensagem sempre actual.
Quanto a David Crosby, aqui vão as que melhor me acompanharam: Song With No Words (Tree Witn No Leaves), Laughing, Traction in The Rain, Music is Love, Tamalpais High (At About 3) e I'd Swear There Was Somebody Here.
Se a música dos meus anos 70 vem quase toda do outro lado do Atlântico? É verdade. Também os meus filmes vêm quase todos do lado de lá. Talvez a minha alma se dê melhor naquelas imensas planícies antes habitadas por índios: this land is not for sale… como no Thunderheart.
